Ninguém decide na mão se a economia vai bem. Um modelo de influências, igual para todos, recalcula o país a cada tick, e as decisões dos jogadores entram nele como números.
O grafo de influências#
O modelo econômico é uma rede de variáveis ligadas umas às outras.
- Variáveis. Cada variável tem um valor de 0 a 1 e tem inércia: nada muda de uma vez. O número anda em direção ao seu alvo aos poucos, tick após tick.
- Efeitos. Cada ligação entre duas variáveis tem peso e atraso. O peso diz quanto uma empurra a outra, e em que direção. O atraso diz quantos ticks o efeito leva para chegar.
Um exemplo: a inflação reage à Selic com 2 ticks de atraso. A decisão da Selic vale no tick seguinte, e a inflação começa a cair dois ticks depois: três dias reais depois da decisão, o equivalente a seis meses de jogo.
Antes da primeira posse, com o calendário do jogo ainda em 2018, cada tick vale menos que 2 meses, e a economia anda mais devagar.
O ponto de partida#
Tudo começa como o Brasil de 2018 (Brasil 2018): PIB crescendo 1,8% em 12 meses, inflação de 3,7%, desemprego de 12%, déficit primário de 1,7% do PIB e dívida bruta de 76% do PIB. A aprovação do governo começa em 50%, neutra.
Sem lei nova, a economia fica assim. Cada efeito vem do quanto uma lei, uma decisão ou outro indicador se afastou do começo: a Selic acima de 6,5% segura a inflação e o crescimento, um programa social maior custa ao resultado e sobe a aprovação. A dívida acumula: sobe a cada tick com o déficit e os juros e desce com o crescimento; a privatização abate a dívida uma vez.
Os três níveis#
| Nível | O que o motor acompanha |
|---|---|
| Nacional | PIB, inflação, desemprego, resultado primário, dívida, aprovação do governo, humor antissistema e estabilidade democrática |
| Estadual | PIB, desemprego, receita dos impostos, orçamento, saúde e educação, segurança e aprovação do governador, em cada estado; o PIB e o desemprego andam com os do país |
| Setores | A demanda de cada setor de empresa, em cada estado |
Os setores ligam a lei, a economia e o lucro das empresas. Um programa de habitação aprovado por lei aumenta a demanda de Construção, e as construtoras lucram mais (Empresas).
O que acontece no tick#
Todo dia, às 8h de Brasília, o jogo vira o tick. Depois da primeira posse, cada tick vale 2 meses de jogo. A cada tick, a data anda, a economia é recalculada (inflação, emprego, arrecadação), as empresas apuram o lucro, salários e dividendos caem na conta e a Receita cobra os impostos.
As ações dos jogadores valem na hora, mas o efeito na economia só aparece no tick seguinte (Temporada e tempo). O ponto de partida é o Brasil de 2018 (Brasil 2018).
Leis, decisões e atraso#
Os dispositivos das leis, o orçamento das pastas e as emendas parlamentares entram no grafo como variáveis e modificadores. O texto da lei é RP; o que mexe nos números são os dispositivos (Leis e dispositivos).
A lei, a medida provisória e o decreto passam a valer no tick seguinte, e cada efeito no grafo chega com o atraso do dispositivo. Antes da votação, a Consultoria Legislativa publica o impacto estimado, com margem de erro. O efeito real chega depois e pode não bater com a estimativa. "A lei de vocês quebrou a economia seis meses depois" é uma frase que o jogo produz sozinho.
Decretos, decisões das estatais e a Selic também mexem no grafo. Emenda liberada faz a obra sair no estado. Pasta sem ministro entrega menos, e os indicadores da área pioram.
Em temas cujo efeito real é disputado no debate público, como armas e drogas, o efeito no grafo é pequeno ou nenhum. O motor não toma partido.
A Selic#
A taxa básica de juros é decidida pelo ministro responsável pela área de economia. Por enquanto, o Banco Central fica subordinado a esse ministério.
- A Selic fica entre 2% e 20% e pode mudar uma vez por tick, por enquanto em passos de até 1 ponto percentual.
- Sem decisão do ministro, fica como está.
- Juros mais altos seguram a inflação, encolhem o crédito e aumentam o lucro dos bancos. O efeito chega também à bolsa.
União e estados#
Os estados recebem transferências da União, pelo fundo de participação. O governador depende do presidente, e o repasse vira negociação entre jogadores. A parte da arrecadação que vai aos estados muda por PEC. Um conflito entre a União e um estado sobre repasses vai ao STF.
O governo sente nas urnas#
A aprovação do governo é uma variável do grafo, e a economia mexe nela: o crescimento sobe, o desemprego e a inflação derrubam. As derrotas do governo derrubam na hora, no tick seguinte: a proposição do presidente rejeitada, 1 ponto, e a indicação dele rejeitada no Senado, também 1 ponto; a MP caducada e o veto derrubado, 2 pontos cada. Contam só as do presidente em exercício. O escândalo de corrupção de quem está no governo federal derruba 2 pontos (Corrupção e rastros). O gasto também sobe a aprovação, mas o déficit que ele cria pesa na inflação, e a dívida alta segura o crescimento. Depois, ela volta aos poucos para o que a economia manda. Na eleição, candidatos da base ganham votos quando o governo vai bem e perdem quando vai mal, principalmente nos segmentos mais sensíveis ao governo. Na eleição de governador, vale a aprovação do governo do estado (Governador); nas de senador e deputado federal, ninguém é base nem oposição.
O relatório de apuração mostra a conta: "você perdeu 6 pontos entre servidores e aposentados de MG por causa da inflação" (Como funciona a eleição).
Onde ver#
A página Economia, no Governo, mostra todos os indicadores (o PIB, a inflação, o desemprego e a Selic), com o gráfico da aprovação e as derrotas do último tick.
Eventos#
Crises, desastres e greves entram por eventos, lançados pela administração com efeito fixo de um catálogo. O motor não sorteia eventos (Eventos).
Humor antissistema#
O humor antissistema mede o cansaço do eleitor com a política, de 0 a 100%. Começa em zero, sobe 3 pontos a cada escândalo de corrupção e volta aos poucos. Na eleição, ele ajuda quem vem de fora, pesa contra quem está no cargo e faz crescer o voto em branco e o nulo (Como funciona a eleição).